Manchester à Beira-Mar - Crítica

Após roubar a cena nas mais diversas premiações, “Manchester à Beira-Mar” garantiu 5 Indicações no Oscar 2017 e favorito em todas as categorias que concorre.

– Melhor Filme
– Melhor Diretor (Kenneth Lonergan)
– Melhor Ator (Casey Affleck)
– Melhor Atriz Coadjuvante (Michelle Williams)
– Melhor Roteiro Original

Cada um tem seu tempo de amadurecimento, sua reação quando situações nunca imaginadas se fazem presentes, seus traumas e sua forma de superar. Cada um sabe de si, mas todos precisamos de alguém, seja por um minuto ou uma vida. “Manchester à Beira-Mar”, filme dirigido e roteirizado por Kenneth Lonergan, trata essencialmente sobre lidar com perdas e tentar compreender o papel da solidão na difícil e imprevisível jornada que é a vida.

Lee Chandler, um homem solitário com uma rotina simples e monótona – com ocasionais desavenças com os clientes mal-educados que recebem seus serviços de zelador – recebe uma ligação informando-o que seu irmão Joe (Kyle Chandler, muito bem, por sinal) faleceu. Cabe a Lee retornar à cidade de seu passado problemático, lidar com a organização do funeral e ser o tutor de seu sobrinho (o surpreendente Lucas Hedges), situações com as quais o depressivo homem não faz ideia de por onde começar.

Um drama pessoal e intenso que se diferencia pela condução da linearidade da estória, o humor humilde e comum mesclado com cenas de desconforto e a força naquilo que não é dito. A montagem de “Manchester à Beira-Mar” chama a atenção por não recorrer a fade-outs quando apresenta flashbacks, usando o som como parâmetro de comparação entre as cenas do presente e do passado do protagonista. Quando as cenas são cheias de som, barulho e vida, sabemos que é o passado, assim, o silêncio e a frieza no olhar – e na atmosfera – trazem o delicado presente de volta ao espectador.

A relação entre os personagens é bem-delineada e conduzida, dosando bem o tempo entre as justificativas de tudo ser como é, utilizando o silêncio e a incapacidade da fala quando as lágrimas e as emoções não mais se contêm. O que fica muito claro nas atuações carregadas e brilhantes de Casey Affleck e Michelle Williams – que mesmo com poucas cenas, prova que é uma das melhores atrizes de sua geração. Lee Chandler é, até então, o papel da vida de Affleck, que diz muito mais em sua postura e no olhar baixo e confuso do que na voz trêmula e insegura, tudo explorado com delicadeza e apresentado com maestria.


Que o espectador não se engane: “Manchester à Beira-Mar” é um filme triste e difícil, mas um conto necessário sobre a imprevisibilidade da vida e a força da mais simples motivação para seguir em frente. Intensa e belíssima, a estória da família Chandler comove pela verossimilhança com que é apresentada e entristece pela compreensão de que nada nunca está inteiramente sob controle, mas uma daquelas que precisam ser ouvidas.

Revisão
Manchester à Beira-Mar - Crítica
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