À Qualquer Custo - Crítica

E o Oscar Interativo chega ao fim de sua maratona, entregando a crítica do último longa-metragem indicado ao Oscar de Melhor Filme. Agora que tudo já foi dito, resta a nós aguardar pelo domingo e curtir esse evento que é a Copa do Mundo para os cinéfilos.
Nossa última crítica é do espetacular “À Qualquer Custo”, que teve 4 Indicações. As categorias são:

-Melhor Filme
– Melhor Roteiro Original
– Melhor Ator Coadjuvante (Jeff Bridges)
– Melhor Montagem

Engana-se aquele que pensa que os EUA se recuperaram totalmente do crash na bolsa de 2008. A situação de alguns cidadãos é desesperadora até hoje, o que se agrava ainda mais em locais longes de centros comerciais, onde muitos vendem suas casas e terras para ter o mínimo de condição de vida e trabalho. E é nesse contexto que “À Qualquer Custo” traz a estória de dois irmãos que decidem roubar bancos de pequenas cidades no estado do Texas e se livrar da crise que parece interminável, seguindo um código de honra de não matar pessoas e, em sua visão, usando o sistema contra ele mesmo.

A trama é simples e ágil, o que torna o longa uma experiência nada cansativa. Na belíssima direção de fotografia, são exaltadas imagens de campo e estradas vazias, encontrando críticas ao governo e aos bancos norte-americanos pixadas em muros e paredes, deixando clara a mensagem que o filme quer passar. E, uma vez contextualizado, o espectador conhece os irmãos Toby e Tanner, representantes da vingança do homem comum contra o poder maior. E quem sai em seu encalço é o Texas Ranger Marcus, que toma a missão como sua última antes de uma aposentadoria monótona.
O que atrai em “À Qualquer Custo” é o casamento perfeito entre diálogos inteligentes e antecipação. O roteiro esteve na blacklist de 2012 (lista de melhores roteiros não filmados) e tem uma estrutura fechada, redonda, porém recheada de críticas e construção sagaz de personagens. Um irmão esquentado, o outro taciturno, um policial correto, porém racista, um faroeste ambientado numa época onde mocinhos e bandidos se confundem, uma reverência ao cinema, em todo o seu poder de construir opiniões e incitar discussões.

Jeff Bridges deita e rola na pele do Texas Ranger, com uma voz e trejeitos construídos para serem provocativos, o ator entrega um personagem honesto, turrão, irritante e surpreendentemente empático. Outro que chama a atenção é Ben Foster, surtado ao representar a revolta e a imprevisibilidade de Tanner, o irmão ruim. Interpretando Toby, o irmão calmo, que tentou seguir o caminho do cidadão comum, temos Chris Pine (o Capitão Kirk, dos novos “Star Trek”), numa atuação contida, com um olhar contemplativo, porém intenso.
A montagem é pontual e dinâmica, torna emocionante e divertidas tanto as cenas de diálogos reflexivos quanto as cenas de ação e perseguição. Mas é realmente a revolta que move a trama, tanto é que o espectador não sabe qual lado escolher. O conflito é tão bem apresentado que a identificação é inevitável e, para bom entendedor, as poucas declarações do policial trazem a hipocrisia e a visão distorcida de justiça do “cidadão de bem”.

Unindo uma direção consciente, atuações intensas, diversas críticas sociais, uma fotografia belíssima e a coragem de explorar um tema delicado e atual, “À Qualquer Custo” é uma pérola do cinema contemporâneo, que ainda deve ser discutido e lembrado por anos e anos.

Revisão
À Qualquer Custo - Crítica
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