Nas Estradas do Nepal - Crítica (Evento ProCultura)

Na última sexta-feira (10/02), o Cinema Interativo foi convidado pela ProCultura para a cabine de imprensa do filme “Nas Estradas do Nepal” de Min Bahadur Bham, no espaço CineSesc em São Paulo e, com muita felicidade, comparecemos ao evento.

Nas Estradas do Nepal” é o filme selecionado para representar o Nepal na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, porém, não chegou aos finalistas. O que não diminui sua importância em nada, afinal, um filme nepalês alcançar o feito de ter um evento de lançamento na América Latina é notável e necessário. É uma colaboração entre Nepal, Alemanha, Suíça e França.

O longa é um conto contextualizado na Guerra Civil do Nepal que teve início em 2001. Prakash é um garoto dalit que tem como melhor amigo Kiran, o filho homem da família que governa a aldeia onde moram. Prakash e Kiran se veem crescendo no meio de um conflito que tende a separar ainda mais os fiéis e os guerrilheiros libertários maoístas, logo, estão em lados opostos e sua amizade está fadada ao fim. Mas quando a irmã de Prakash se junta aos maoístas, trazendo assim desonra para seu pai, ela deixa uma galinha e um pouco de dinheiro para o pequeno rapaz. O amor dos dois amigos pela galinha e o vislumbre das possibilidades de se manterem unidos ante as coisas de adultos que os separam torna “Nas Estradas do Nepal” um filme doce e belo sobre descobertas, crescimento, diferenças culturais, o preconceito, a injustiça, a fé, os instintos e a complexidade do ser humano.

O filme soa como um “Conta Comigo” nepalês, mas com originalidade e intensidade singulares, impedindo comparações com longas norte-americanos. A direção de elenco é primorosa e as sequências de tensão e desigualdade soam verossímeis e dolorosas. Alguns planos-sequência em câmera lenta parecem longos demais, mas há toda uma questão de estética e estilo de filmagem do diretor, fugindo completamente ao resumo cômodo de contextualização cultural – o que é muito visto em filmes asiáticos.

Nada didático, o filme deixa tudo subentendido logo no início e explicita sua proposta de fazer um estudo social ao invés de um tour pela cultura nepalesa. Pelos olhos do jovem Prakash, nos deparamos com o exercício religioso de uma aldeia, não de um país inteiro. E como a própria Guerra Civil deixa claro, há e sempre haverá perspectivas diferentes.

Nesse registro, o Cinema Interativo agradece o convite da ProCultura e incentiva que cada vez mais os países tomem iniciativas para mostrar trabalhos maravilhosos de locais diferentes outrora negligenciados pelo grande público.

Revisão
Nas Estradas do Nepal - Crítica
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