Moonlight: Sob a Luz do Luar - Crítica

E nossa maratona de filmes não para…
Moonlight – Sob a Luz do Luar” teve prestígio no Globo de Ouro e recebeu 8 Indicações e é um dos favoritos no Oscar 2017. Vamos às indicações e à crítica?

– Melhor Filme
– Melhor Diretor (Barry Jenkins)
– Melhor Ator Coadjuvante (Mahershala Ali)
– Melhor Atriz Coadjuvante (Naomie Harris)
– Melhor Roteiro Adaptado
– Melhor Fotografia
– Melhor Edição
– Melhor Trilha Sonora

Vencedor do prêmio de Melhor Filme no Globo de Ouro de 2017, “Moonlight” é um filme que destoa dos dramas convencionais não somente por abordar assuntos delicados de forma inovadora, mas por não se contentar com saídas fáceis e impressionáveis. Sob a sensível direção de Barry Jenkins, o roteiro baseado na peça “In Moonlight Black Boys Look Blue” segue a turbulenta história de Chiron em três fases de sua vida, a infância, a adolescência e a fase adulta.

Negro, morador da periferia e homossexual, Chiron é um personagem complexo e sua jornada emocional é protagonizada por três atores, um em cada fase da vida – em performances de total entrega do pequeno Alex R. Hibbert, do intenso jovem Ashton Sanders e do ex-atleta Trevante Rhodes. Negligenciado pela mãe viciada em drogas – Naomie Harris, de “Piratas do Caribe”, assustadoramente crível em cada cena –, Chiron foge dos valentões da escola e se depara com Juan – Mahershala Ali, visto em “Luke Cage”, contido e intenso –, um traficante de drogas que cuida do garoto e, diariamente, passa tempo ensinando sobre a vida, o significado das coisas para um negro periférico e se torna a figura paterna que o pequeno não teve.
Durante a adolescência, o roteiro foca na amizade do protagonista com Kevin, que eventualmente se torna seu primeiro amor, e no bullying que se intensifica com ameaças e situações cada vez mais graves. E após uma reviravolta bem construída, o terceiro ato apresenta um Chiron adulto, musculoso e respeitado, quase que uma cópia de Juan, mas com conflitos internos que se intensificam quando alguém de seu passado retorna numa ligação.

As cenas de violência são mescladas com momentos de ternura e desabafos, embaladas por música clássica e instrumentos como violino e teclado, tornam a experiência de assistir “Moonlight” algo quase lúdico, inimaginável ao se tratar de um filme sobre preconceitos tão pungentes e atuais. É cruel e doce ao mesmo tempo, é tenso e leve, é carnal e espiritual, e tal atmosfera contraditória é tão bem delineada pelo elenco e pela direção de fotografia – quase sempre em tons de azul e roxo – que nem mesmo as diversas possibilidades de seu final aberto soam por acaso. A subjetividade torna “Moonlight” um filme único, pois, apesar de não conversar com todos os públicos, tem mensagens universais impossíveis de se ignorar.

Delicadeza, intensidade, força e arte são palavras que pouco fazem jus à obra. À primeira vista, o espectador pode sentir que um ou outro elemento poderia ser mais explorado – o que foi o meu caso –, mas é aí que está o brilhantismo do diretor; mostrar só o suficiente para que a discussão se elabore. E se isso não é o perfeito manuseio da arte, eu não sei o que é.

Revisão
Moonlight: Sob a Luz do Luar - Crítica
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