Moana: Um Mar de Aventuras - Crítica

Pais, preparem-se, a Disney acaba de produzir a canção que substituirá o hit “Let it Go” e se tornará a nova música mais tocada em 10 de 10 festas infantis!

Enfim, “Moana – Um Mar de Aventuras” estreou no Brasil e trouxe tudo o que era esperado de uma animação da Casa do Mickey, tudo e muito mais. Com números musicais minuciosamente bem executados, uma mensagem forte de empoderamento feminino e carisma para que o espectador não perceba o tempo passando, temos aqui um fortíssimo candidato a melhor animação não somente de 2016, mas dos últimos anos, competindo somente, talvez, com “Zootopia” e “Divertidamente”, do mesmo estúdio.

Os diretores Ron Clements e John Musker (dos maravilhosos “A Pequena Sereia”, “Hércules” e “A Princesa e o Sapo”) decidiram se aventurar nas animações totalmente feitas em computação gráfica e não poderiam ter se saído melhor.
O filme traz a história de Moana, uma jovem questionadora e corajosa, princesa de uma ilha na Oceania, que nutre o desejo de explorar o mundo além do lugar onde cresceu protegida pela família. Moana acredita numa lenda que sua avó conta sobre a deusa da criação Te Fiti (metáfora para a natureza) que teve seu coração roubado por um semideus de nome Maui e, desde então, dorme sem saber do que acontece no mundo, aguardando por um guerreiro – ou guerreira – que encontrará o ladrão e retornará o coração à deusa, restaurando a paz ora perturbada. Mas tal história incita a vontade de sair pelo mundo à procura de novas perspectivas, de outras vidas e histórias, coisa que a tribo de Moana é totalmente contra. Não é preciso dizer que a jovem desafia a todos e sai em busca de Maui e do coração de Te Fiti.

E é justamente a mensagem de acreditar em si mesmo e em seus sonhos que é reforçada pela animação, sutilmente ensinando o espectador infantil a não desistir e a sempre questionar o que lhe é dito. A jornada de Moana traz adversidades contrárias às comuns – tais como o próprio Maui, que se mostra um dos mais carismáticos personagens da história das animações Disney – e uma reviravolta surpreendente e desafiadora, o que eleva a fita ao nível de Obrigatória nas aulas de roteiro e “jornada do herói” nos cursos de Cinema e Televisão.

As músicas – marcantes, diga-se de passagem – são compostas pelo vencedor do Oscar Mark Mancina (de “O Rei Leão” e “Tarzan”), Lin-Manuel Miranda e Opetaia Foa’i e dão um show de diversidade e positividade ao incluir o idioma toquelauano da tribo de Moana e marcar citações que, muito em breve, estarão tatuadas em alguns braços e estampadas em camisetas por aí. E as interpretações de Auli’i Cravalho e Dwayne “The Rock” Johnson são dignas de aplausos, pois desenvolvem uma química instantânea e conquistam a simpatia do espectador nas primeiras palavras de seus personagens.

Moana – Um Mar de Aventuras” é uma bela canção entoada por diversas vozes que procuram conscientizar as próximas gerações sobre respeitar a natureza, as diferenças e, principalmente, a si mesmo ao não se acomodar com o que lhe dizem ser a verdade absoluta. E nada está nas entrelinhas, vide o trecho da música “How Far I’ll Go”.

Eu sei que todos nessa ilha parecem tão felizes, tudo é sob medida. […] Eu ficaria satisfeita se só fizesse minha parte, mas uma voz aqui dentro canta uma melodia diferente […] Um dia eu saberei o quão longe eu irei.

Meus parabéns, Disney.