Lion: Uma Jornada Para Casa – Crítica

Foram 5 Indicações e muitos olhares voltados a esse drama biográfico que ganhou grande espaço no Oscar 2017. Mas é quase unanimidade na crítica de que “Lion – Uma Jornada Para Casa” é o mais fraco dentre os filmes indicados. As Indicações foram nas categorias:

– Melhor Filme
– Melhor Ator (Dev Patel)
– Melhor Atriz Coadjuvante (Nicole Kidman)
– Melhor Roteiro Adaptado
– Melhor Fotografia

Dramas biográficos não são novidade em Hollywood, muito menos com histórias de perdas e reencontros. São os chamados caça-lágrimas, que, com a trilha sonora certa, quebram os corações dos espectadores e transformam a sala de cinema numa enorme sessão de terapia. Por isso, ver a trama de “Lion – Uma Jornada Para Casa” na lista de Indicados a Melhor Filme no Oscar 2017 foi tão surpreendente. Não soava uma grande aposta, mesmo tendo nomes como Dev Patel, Rooney Mara e Nicole Kidman em seu elenco.

Acompanhamos a incrível história real de Saroo Munshi, garoto indiano que se perdeu do irmão numa comunidade pobre do país, viveu como morador de rua por um ano conhecendo o pior do ser humano – tráfico de crianças, seres humanos tratados como lixo nas ruas, o desespero por uma condição melhor, entre outras horríveis situações – até parar numa espécie de orfanato que cuidava para que crianças pudessem ser adotadas por pessoas capazes de criá-los num ambiente feliz. E, como o título diz, Saroo cresce saudável com uma família australiana que deu a ele uma vida repleta de oportunidades e felicidade, mas começa a ficar obcecado com a ideia de reencontrar sua família biológica na Índia.
A fórmula para emocionar é lógica e simples quando se pensa numa adaptação para os cinemas – convenhamos, Celso Portiolli e Gugu Liberato contam histórias parecidas na tevê aberta –, mas sempre há espaço para a inovação. O que, infelizmente não acontece em “Lion – Uma Jornada Para Casa”.

O longa abre com um primeiro ato chocante e impecável, trazendo o pequeno Saroo para perto do espectador, cativando a empatia e admiração necessárias para que não nos esqueçamos do choque e da revolta com toda a situação. A trilha sonora funciona, as atuações são emocionantes e convincentes e toda a jornada do protagonista é filmada de forma crua e belíssima, a ponto de sentirmos real alívio quando Saroo é adotado pela personagem de Nicole Kidman (espetacular em suas poucas cenas).
Os problemas começam quando o arco inicial termina. A ambientação na vida do, agora rapaz, Saroo, é fraca, seus questionamentos e emoções são pouco exploradas e não há conexão emocional alguma com o personagem. A única ligação realmente sentida é com sua mãe – apresentada no primeiro ato – porém, as cenas dependem de Nicole Kidman que, como citado, pouco aparece. E um filme baseado em fatos no qual o protagonista é antipático e distante só desperta desinteresse e frustração. Nem mesmo o sorriso simpático de Dev Patel é bem explorado aqui, seu relacionamento com a personagem de Rooney Mara é raso e nada traz à trama, mas nada é tão decepcionante quanto a “origem” de sua obsessão em reencontrar a família perdida, que, de acordo com o confuso roteiro, se intensificou por causa da menção ao aplicativo Google Earth.

As belas tomadas aéreas perdem espaço para cenas clichês de lamentações na praia e epifanias numa casa malcuidada. A direção de Garth Davis perde em força e originalidade, apelando para a trilha sonora e um pouco de lágrimas em primeiro plano. E, quando enfim chega a conclusão do filme, parte da emoção já se tornou impaciência.
A história é bela e traz alertas importantes, mas a condução perde qualidade gradualmente, o que mais entristece seu espectador do que recompensa.