La La Land: Cantando Estações - Crítica

Dando o pontapé inicial na maratona de filmes do Oscar 2017, apresentamos o “Oscar Interativo“, coluna na qual traremos críticas sobre todos os filmes concorrentes ao carequinha dourado – me referenciar ao prêmio assim soa bizarro?
E, como não podia deixar de ser, começaremos com o filme que, como “Titanic”, detém 14 Indicações ao Oscar. “La La Land: Cantando Estações” foi indicado nas seguintes categorias:

Melhor Filme
– Melhor Diretor (Damien Chazelle)
– Melhor Ator (Ryan Gosling)
– Melhor Atriz (Emma Stone)
– Melhor Roteiro Original
– Melhor Fotografia
– Melhor Edição
– Melhor Direção de Arte
– Melhor Figurino
– Melhor Trilha Sonora
– Melhor Canção Original
– Melhor Edição de Som
– Melhor Mixagem de Som
– Melhor Design de Produção

Ufa, eis a crítica:

Após o merecido sucesso de “Whiplash – Em Busca da Perfeição”, o jovem diretor Damien Chazelle apresenta seu novo e ousado longa-metragem homenageando a antiga Hollywood, trazendo de volta o gênero Musical, atualmente desacreditado por muitos. E não é exagero dizer que, em seu segundo grande projeto, Chazelle se consagrou como um dos grandes diretores de sua geração.

Abrindo com um plano-sequência detalhista e cheio de significado numa rodovia rumo a Los Angeles, com jovens dançando e cantando sobre alcançar seus sonhos na cidade das estrelas, presos num engarrafamento sem perder o encantamento pela própria atitude, “La La Land” já diz ao espectador a que veio, conquistando-o senão pelo belíssimo visual – aqui, fotografia e figurino –, pela simpatia cativante do número musical que se desdobra de forma fácil e inspiradora.
É após essa sequência que conhecemos os dois protagonistas desse lúdico conto: Um músico apaixonado por jazz e uma esperançosa jovem atriz que trabalha como barista num restaurante no meio dos estúdios Warner Bros. Ambos têm seus sonhos ambientados em Los Angeles – ele quer ser dono de um bar que resgate o jazz e o ensine para as novas gerações, ela quer ser atriz em Hollywood – e dividem frustrações após diversas tentativas malsucedidas. E a inevitável cena que os une é um número musical que traz à mente do cinéfilo diversos filmes da década de 60, respira uma Hollywood cheia de ídolos dançantes e, ainda assim, se atém às histórias humildes de seus personagens.

Emma Stone é, indiscutivelmente, a grande estrela do filme. A jovem demonstra esforço e confiança nos números em que canta e dança, mesmo não sendo conhecida por sua versatilidade física, e vai além, aprofundando-se na trama de sua personagem e, de cena em cena, tomando o protagonismo para si. Já Ryan Gosling, outro faz-tudo de Hollywood, esbanja charme e um timing perfeito para a comédia e o drama em cenas de uma naturalidade rara em musicais coloridos e dançantes. Temos até a grata presença de J.K. Simmons – que ganhou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante pelo já citado “Whiplash”.
A assinatura de Chazelle se faz presente em cada cena, desde a montagem inteligente – que num número de jazz, faz a câmera ir rapidamente do músico para a dançarina no ritmo da música – até a direção de atores – num belíssimo e simples número final que deve render, no mínimo, uma indicação à Emma Stone. O roteiro constrói o conflito sutilmente, chega a enganar o espectador por sempre soar tão positivo, e quando o clímax chega, é arrebatador.

La La Land – Cantando Estações” é uma das mais belas e significativas produções dessa década, atualizando o gênero Musical, apresentando-o para uma nova geração – mesmo que, em diversas cenas, não fosse pelos celulares e carros, pareça se passar na década de 60 – e abraçando o charme da narrativa musical. Não fugirei do clichê dos críticos e me juntarei ao coro que entoa: “Até quem não gosta de musicais irá amar o filme!”.