Kong: A Ilha da Caveira - Crítica

Visto pela última vez em 2005, no “King Kong” de Peter Jackson, o clássico rei que conquistou multidões em todas as suas representações retorna num blockbuster que compõe o MonsterVerse (Universo de Monstros) da Warner Bros.

Em “Kong: A Ilha da Caveira”, acompanhamos um time composto por exploradores, cientistas, militares, uma espécie “honrada” de mercenário e uma fotógrafa numa jornada para explorar aquele que é o último lugar não-explorado da Terra: A Ilha da Caveira. Ao chegarem lá, bombardeiam partes do lugar para estudá-lo e são recebidos pelo protetor do lugar, um gorila de 30 metros chamado Kong que destrói toda a frota de helicópteros do grupo, tirando as vidas da maioria daqueles que ameaçaram seu lar. Os sobreviventes, agora separados pela ilha, precisam encontrar um jeito de sair dali, mas antes disso, é preciso sobreviver às outras ameaças que aparecem a cada passo que dão.

Kong: A Ilha da Caveira” é o típico filme pipocão descompromissado e realmente divertido. A jornada é simples, não há reviravoltas surpreendentes, mas há real imersão naquele universo e a diversão de acompanhar personagens simpáticos e odiosos e descobrir quais surpresas a ilha reserva para eles. As personalidades distintas, por mais que não sejam quase nada aprofundadas, são bem delineadas pelo ótimo elenco. Samuel L. Jackson faz com perfeição o militar obsessivo e ignorante, cego por vingança de algo causado por ele mesmo, personagem que pouco desafia o ator, afinal, é sua zona de conforto. Tom Hiddleston é o galã da vez, apesar de ser, talvez, o mais deslocado dos personagens. Brie Larson é de uma simpatia ímpar, seus sorrisos e lágrimas são sentidos pelo público e cabe a ela as principais cenas de crítica social e empoderamento feminino, assim como o clássico primeiro contato pacífico com Kong. Mas é John C. Reilly que rouba a cena como um ex-soldado da Segunda Guerra Mundial que ficou preso na Ilha da Caveira e vê no grupo de protagonistas sua chance de voltar ao mundo, cabe a ele o alívio cômico e a história mais dramática.

Há, porém, um desperdício de elenco e de tempo de tela com os personagens de John Goodman e Toby Kebbel (apesar deste dar vida ao digitalizado Kong, também tem um papel entre os humanos), que podem causar certo estranhamento a olhares mais atentos e exigentes. Não é nada que estrague a experiência divertida e catártica do longa, mas não passou batido.
A fotografia é lindíssima e faz clara referência a “Apocalypse Now”. Referências, inclusive, são parte da diversão do filme, que traz várias aos mais diversos clássicos do cinema. O CGI que criou Kong e as criaturas da Ilha da Caveira nunca foi tão bom e minucioso. As sequências de ação e as cenas que exploram a ilha são de encher os olhos e conversam com a empolgante trilha sonora que vai de Jorge Ben Jor a David Bowie. A direção de arte e o roteiro recriam perfeitamente o ambiente dos anos 70, trazendo nostalgia até mesmo aos que nem viveram a época.

Novamente, o compromisso do filme é com a diversão e não com a profundidade de suas mensagens ou personagens, o que, se feito de forma certa e sem subestimar a inteligência de seus espectadores, funciona maravilhosamente bem. A conexão com o “Godzilla” de 2014 é sutil, mas empolga por dar um vislumbre do que será o embate entre os dois monstros da Warner. Aliás, é justamente a cena pós-créditos a responsável por essa empolgação, ou seja, não vá embora até as luzes do cinema se acenderem totalmente.

Revisão
Kong: A Ilha da Caveira
Compartilhe

Recomendado para você: