Estrelas Além do Tempo - Crítica

Sob gritos vibrantes e aplausos estrondosos, chega “Estrelas Além do Tempo”, um dos filmes que mais enfaticamente dá sua mensagem ao grande público. E conquistou a Academia também, afinal, foram 3 Indicações importantíssimas. São elas:

– Melhor Filme
– Melhor Atriz Coadjuvante (Octavia Spencer)
– Melhor Roteiro Adaptado

Eis a crítica:

Quando a corrida espacial entre EUA e União Soviética atingia suas primeiras grandes marcas – década de 1960 –, a NASA, como não poderia deixar de ser, exigia de seus funcionários nada menos do que o melhor, definindo um padrão de exigência quase inatingível, se assegurando de ter as melhores mentes nos campos da matemática, física, astrofísica, engenharia e astronomia em sua equipe. Mas a década de 60 também foi marcada por um triste momento na história mundial: o Segregacionismo.
E nesse contexto estão inseridas as protagonistas de “Estrelas Além do Tempo”; Katherine G. Johnson (numa interpretação memorável de Taraji P. Henson), Dorothy Vaughan (Octavia Spencer em performance contida, demonstrando toda sua experiência em cena) e Mary Jackson (com toda a presença e o carisma de Janelle Monáe), matemáticas negras dentro da NASA quebrando padrões e expectativas de forma ousada, devida e comovente, sem soar piegas ou apelativa.

Com um foco um pouco maior em Katherine – mostrando até mesmo sua infância – o roteiro consegue comportar as três histórias de forma dinâmica, dando espaço para cenas de empoderamento, crítica social afiadíssima, gritos contra o racismo e o machismo, assim como histórias de amor e companheirismo. O elenco de apoio, em maioria os funcionários brancos da NASA, conta com performances cientes de seu lugar na narrativa, de Kirsten Dunst, Jim Parsons e Kevin Costner. Vale a pena chamar a atenção para o fato de que Mahershala Ali – indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por “Moonlight” – tem um papel bastante carismático no longa.
Uma personagem importantíssima na força da mensagem de “Estrelas Além do Tempo” é a trilha sonora abrangente e marcante que consegue transitar entre o drama, as quedas das protagonistas, as vitórias e a retomada do poder, orquestrada por Pharrell Williams. Apesar de uma direção pouco original, com excesso de planos médios em locais que pouco aparentam a transição de tempo e posições idênticas dos personagens, o que torna algumas cenas um tanto repetitivas, o filme perde pouco apesar do campo técnico, pois seu elenco claramente acredita, vive e transmite sua mensagem com emoção e clareza.

Baseado numa incrível história real, “Estrelas Além do Tempo” causa no espectador a mesma revolta de suas protagonistas com cenas pontuais e bem-executadas sobre o racismo, machismo e inferiorização do trabalho das mulheres na época – o que, infelizmente, ainda é uma realidade mesmo após tantos anos – e se fixa como um dos filmes essenciais para compreender parte da cultura norte-americana, em seus orgulhosos altos e vergonhosos baixos.