Até o Último Homem - Crítica

O Oscar Interativo continua sua corrida para trazer as críticas de TODOS os longas Indicados a Melhor Filme no Oscar 2017. E a obra de hoje teve seis indicações; são elas:

– Melhor Filme
– Melhor Ator (Andrew Garfield)
– Melhor Diretor (Mel Gibson)
– Melhor Montagem
– Melhor Mixagem de Som
– Melhor Edição de Som

O diretor e ator Mel Gibson faz um retorno surpreendente a Hollywood com um longa-metragem que, curiosamente, trabalha temas como castigo, sacrifício e redenção. Após um tempo longe dos holofotes positivos – vide as manchetes sobre seu problema com álcool e acusações de violência doméstica –, Gibson entrega em “Até o Último Homem” uma direção sensível, verossímil e bela, para contar a história real do soldado Desmond Doss, que foi à Segunda Guerra Mundial e voltou como um herói sem ter disparado nenhum tiro.

A premissa de “Até o Último Homem” é simples e pode até enganar o espectador saturado de histórias reais da Segunda Guerra; garoto conhece garota, ambos bondosos e exemplos de bons católicos, garoto sente que é seu dever ir à Guerra, garota espera por ele, garoto retorna como um herói condecorado. Mas engana-se aquele que se deixar levar pela premissa, a execução do filme traz diversos elementos trabalhados magistralmente, tanto no campo artístico, quanto no técnico.
A construção dos personagens é delicada, sem ficar maçante. O sorriso simpático do protagonista, seu romance com a doce enfermeira Dorothy, seu passado difícil com um pai traumatizado e uma mãe permissiva e seu ímpeto em seguir os jovens de sua idade ao se alistar no exército levam bons 40 minutos de filme, o que cativa o espectador e apresenta diversos motivos para a completa empatia. E no fechamento do primeiro ato, as convicções de Doss sendo colocadas à prova por militares orgulhosos, a questão religiosa tratada de forma imparcial e os autoquestionamentos do rapaz se provam cenas cruciais para que “Até o Último Homem” se distancie do frenesi e da tensão comum dos filmes que retratam guerras.

Mel Gibson não é estranho à violência extrema, vide “A Paixão de Cristo” e “Apocalypto”, seus filmes mais polêmicos, mas aqui, ele o faz de forma ainda mais profunda. Com cortes pontuais, uma fotografia que flerta com a claridade, pouquíssimo CGI e cenas de mutilação, corpos queimados e explosões ininterruptas, a câmera nada trêmula permite que o espectador entenda perfeitamente o que acontece a quem. Deixando claro que não irá cobrir uma grande batalha e sim a luta pelo cume de Hacksaw, o diretor se permite a liberdade de explicar o milagre da jornada de seu protagonista sob mais de uma perspectiva, o que se mostra uma decisão corajosa e acertada, impedindo o filme de soar apelativo ou inverossímil.

Andrew Garfield entrega uma das atuações mais exigentes de sua carreira, tanto física quanto emocionalmente. A simpatia e a verdade de Doss são vistas no olhar doce e ingênuo de Garfield, o que torna ainda mais evidente seu talento quando suas feições mudam drasticamente após os terrores vividos na guerra. Vale chamar a atenção, também, para Hugo Weaving (o eterno Agente Smith de “Matrix”) que mostra todas as nuances e a complexidade do pai do protagonista, tendo uma jornada emocional própria e emocionante, mesmo que com pouco tempo de tela.

Com um roteiro que trata a questão religiosa cuidadosamente e mantém o pé no chão ao se provar ciente da fácil incredulidade da situação apresentada, “Até o Último Homem” é um longa diferenciado por emocionar e chocar sem soar apelativo ou repetir enquadramentos e reviravoltas já vistos. É um marco nas carreiras de Gibson e Garfield por motivos totalmente diferentes, mas com uma verdade em comum: Queremos ver ainda mais trabalhos de ambos.

Revisão
Até o Último Homem - Crítica
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