Aliados - Crítica

Robert Zemeckis, diretor do clássico “Forrest Gump – O Contador de Histórias” se une a Brad Pitt e Marion Cotillard num drama de guerra que tinha tudo para ser um novelão, mas se sai bem graças a um trabalho cuidadoso e uma produção espetacular.

A trama de “Aliados” é simples: Max e Marianne são oficiais do lado britânico na Segunda Guerra Mundial. Designados para uma missão juntos, acabam se apaixonando, se casando e, em pouco tempo, dando luz à uma filha. Até que a Seção V chama Max para um ultimato; suspeitam que Marianne é uma espiã alemã, iniciam uma investigação de 72 horas de duração e, caso comprovem as suspeitas, Max deverá matá-la ou será preso como cúmplice.

Com primeiro, segundo e terceiro atos bem definidos, o longa aposta na belíssima direção de arte e figurinos para ambientar o espectador no contexto da Segunda Guerra. Os protagonistas se destacam por sua diferença – Max é introspectivo e Marianne é repleta de camadas e olhares que muito mais dizem do que suas palavras –, o que torna fácil a empatia com o público. Brad Pitt, à primeira vista, parece apático, mas constrói com delicadeza seu personagem, dando atenção aos silêncios e explodindo quando as situações pedem. Mas, definitivamente, quem brilha é Marion Cotillard, traçando uma gama de sentimentos e expressões, assumindo o papel de mãe e esposa dedicada e acomodada, assim como a possível espiã, misteriosa e complexa.

Apesar de seu ritmo que dosa bem a ação e o drama, “Aliados” deixa a desejar no quesito coadjuvantes. Os personagens secundários são praticamente irrelevantes à trama e, quando aparecem, estão distantes dos protagonistas, quase que cuidadosamente posicionados para não ofuscar seu brilho. Isso pouco tira da tensão e da boa construção da trama, mas causa certo estranhamento, pois não é uma história tão óbvia e deveria expandir um pouco mais seu universo para contribuir com a dubiedade das relações e dos diálogos.

Um drama de guerra diferente, que não é novelesco tampouco com foco nas batalhas, acrescentando ao gênero. É assim que “Aliados” deve ser encarado, um projeto de pouca ambição e, justamente por isso, um acerto.

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