A Chegada - Crítica

Se aproximando dos últimos filmes da corrida para assistir aos Indicados a Melhor Filme, o Oscar Interativo traz hoje a feliz surpresa que é “A Chegada“, o sci-fi que conquistou a Academia e foi indicado em 8 categorias.

– Melhor Filme
– Melhor Diretor (Dennis Villeneuve)
– Melhor Roteiro Adaptado
– Melhor Fotografia
– Melhor Montagem
– Melhor Edição de Som
– Melhor Mixagem de Som
– Melhor Direção de Arte

A grande ficção-científica de 2016 nos cinemas chega um tanto polêmica, divisora de opiniões e cheia de comparações a filmes e livros clássicos e contemporâneos. “A Chegada” de Dennis Villeneuve (de “Os Suspeitos” e “Sicario – Terra de Ninguém”) é um filme diferente, original, porém questionável em alguns aspectos.

Advindo de um grande hype, apoiado em sua jornada rumo ao Oscar, “A Chegada” é, em suma, um filme simples em seu roteiro, mas complexo em sua arte, o que dividiu – e ainda dividirá – opiniões de cinéfilos por aí.
A trama é protagonizada por Louise Banks (interpretada de forma visceral por Amy Adams), uma especialista em comunicação que se vê intimada pelo exército norte-americano a estabelecer o primeiro contato com uma raça de alienígenas que chegaram à Terra. Ela se une ao personagem de Jeremy Renner – também ótimo – para estudar e compreender a linguagem usada pelos “invasores”. Entre flashbacks essenciais para a compreensão da protagonista e sequências de seu estudo, a estória caminha de forma lenta, porém atenciosa e atinge um clímax recompensador.

Como citado, é simples, porém Villeneuve faz escolhas artísticas interessantes e, em algumas delas, é até pioneiro no campo da ficção-científica. A proposta claramente não é ser o “2001 – Uma Odisséia no Espaço” dessa geração, mas sim trazer uma narrativa diferente sem soar maçante ou pseudo-intelectual.
Com soluções estéticas belíssimas, uma ou outra brincadeira com campos gravitacionais e interação humano-alien e a construção inteligente do sentimento de “AAAAAAH, AGORA ENTENDI O PORQUÊ DAQUILO”, temos em “A Chegada” uma abordagem relativamente abrangente de metáforas que, outrora, somente um público mais experiente no campo do sci-fi entenderia à primeira vista. Apesar de não conseguir evitar comparações com “Contato” e “Interestelar”, sua montagem dinâmica e esperta flerta com o conceito de não-linearidade narrativa de forma incomum, o que é mais um mérito do diretor.

Muito mais um debate sobre as relações humanas e a delicadeza e complexidade da intolerância, “A Chegada” tem em seu cerne a essência da ficção-científica, mas permite que o espectador o encare de forma menos comprometida, revelando uma mensagem simples – mesmo que pouco objetiva –, porém excepcional em sua execução.